03 de junho de2021

O homem verdadeiramente corajoso sabe que há coisas que é preciso temer mais que a própria morte: a injustiça, o não cumprimento do dever, a contradição consigo próprio. (Sócrates)

Movimento acelerado

De acordo com o último boletim publicado pela prefeitura de Mangaratiba, já são cento e quinze casos de óbitos no município. Mais preocupante, ainda, é a quantidade de leitos ocupados, que ultrapassa os oitenta por cento.

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Margens da Rio Santos

Depois de mais de 20 anos de luta, mais de 300 famílias ameaçadas de despejo ao longo do trecho Rio-Juiz de Fora da BR-040 podem, enfim, dormir tranquilas. O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, anunciou na noite da última quarta-feira, durante reunião com o prefeito interino Hingo Hammes, em Brasília, a suspensão das ordens de demolição de casas às margens da estrada. Os processos judiciais que determinam as demolições correm há anos na justiça, gerando apreensão às famílias. Muitas já moravam na região antes mesmo da concessão da estrada à Concessionária Rio-Juiz de Fora. Segundo o ministro, as ordens de demolição, resultantes de ações da Concer, serão suspensas até a nova concessão da rodovia, quando um novo estudo sobre a redução da faixa de domínio deverá ser realizado. Durante a reunião, o ministro garantiu que, mesmo depois, somente serão demolidas as construções avaliadas como “inevitáveis”, ainda assim com a garantia de novo teto para os moradores.

Margens da Rio Santos II

Dentre os processos judiciais que envolvem famílias da BR-040, 53 já estavam com ordem de demolição para serem cumpridos a qualquer momento. Situação semelhante vivem os moradores que construíram às margens da rodovia Rio Santos, especialmente no trecho de Muriqui. Hora de algum vereador local se interessar pelo assunto e buscar acordo no mesmo sentido, vez que as famílias da região também vivem o mesmo pesadelo.

Será o Benedito?

Seu nome original era Benedito Caravelas e viveu até 1885, um líder nato e bastante viajado, conhecia muito o nordeste. Suas andanças conferira-lhe a alcunha de “Meia-légua“. Andava sempre com uma pequena imagem de São Benedito consigo, que ganhou um significado mágico depois. Ele reunia grupos de negros insurgentes e botava o terror nos fazendeiros escravagistas da região, invadindo as Senzalas, libertando outros negros, saqueando e dando verdadeiros prejuízos aos racistas. Contam que ele era um estrategista ousado e criativo, criava grupos pequenos para evitar grandes capturas e atacavam fazendas diferentes simultaneamente. A genialidade do plano era que o líder de cada grupo se vestia exatamente como ele. Sempre que um tinha o infortúnio de ser capturado, Benedito reaparecia em outras rebeliões. Os fazendeiros passaram a crer que ele era imortal. E sempre que haviam notícias de escravos se rebelando vinha a pergunta> “Mas será o Benedito?”

Será o Benedito? II

O mito ganhou força após uma captura dramática. Benedito chegou a São Mateus amarrado pelo pescoço, sendo puxado por um capitão do mato montado a cavalo. Foi dado como morto e levado ao cemitério dos escravos, na igreja de São Benedito. Noutro dia, quando foram dar conta do corpo, ele havia sumido e apenas pegadas de sangue se esticavam no chão. Surgiu a lenda que ele era protegido pelo próprio São Benedito. Por mais de 40 anos ele e seu Quilombo, mais do que resistiram, golpearam o sistema escravocrata. Meia-Légua só foi morto na sua velhice, manco e doente. Ele dormia em um tronco oco de árvore. Esconderijo que foi denunciado por um caçador. Seus perseguidores ficaram à espreita, esperando Benedito se recolher. Tamparam o tronco e atearam fogo. Seu legado é um rastro de coragem, fé, ousadia e força para lutar pelo nosso povo, que ainda hoje é representado em encenações de Congada e Ticumbi pelo Brasil. Em meio as cinzas encontraram sua pequena imagem de São Benedito.

Autor: Prof. Lauro

Psicólogo, Professor Universitário, aposentado, e escritor, 72 anos, divorciado, três filhas e seis netos. Com residência de temporada em Itacuruçá desde 1950 e definitiva a partir da aposentadoria em 2001.

Uma consideração sobre “03 de junho de2021”

  1. Caro Prof. Lauro

    Infelizmente, Mangaratiba está a 20 km por hora na imunização se comparado com muitas cidades, o que coloca a nossa população em maior vulnerabilidade já que turistas e veranistas vêm constantemente da região metropolitana para a Costa Verde. E, para piorar as coisas, houve ontem a edição e publicação do Decreto n.º 4.484, de 02 de junho de 2021, o qual, ao atualizar as medidas de prevenção contágio da COVID-19, autoriza, em seu artigo 1º, parágrafo 1º, a presença de público nos campos de futebol e similares até 50% (cinquenta por cento) da capacidade máxima do espaço esportivo…

    Acerca da situação na Rio-Santos, tenho acompanhado os fatos desde julho de 2019, sendo que, graças à DPU e ao MPF, os seus moradores não estão desamparados, havendo tratativas extrajudiciais com o DNIT. Porém, é certo que um apoio político, desde que bem articulado com autoridades em Brasília, ajudaria também para que a Superintendência do ente federal peça desistência das inúmeras ações individuais em curso na Justiça Federal contra os moradores, ou lhes pague uma indenização, construa casas populares, etc.

    Recordo que, na legislatura passada, o então ver. Fernando Freijanes, tendo em vista as alterações feitas na Lei se Uso do Solo, através da Lei Federal n.º 13.913, de 25 de novembro de 2019, apresentou projeto de lei para que houvesse redução da área não edificante, o que amenizaria o problema. Isto porque a nova redação dada ao artigo 4º da Lei nº 6.766/1979, veio assegurar o direito de permanência de construções na faixa não edificável contígua às faixas de domínio público de rodovias, bem como possibilitar a redução da extensão dessa faixa não edificável por lei municipal ou distrital.

    Tal proposta chegou a ser aprovada numa das últimas sessões do nosso Legislativo em 2020. Porém, infelizmente, o atual Chefe do Executivo já reeleito, vetou o projeto e, neste ano, a Câmara, por maioria, manteve o veto.

    Verdade seja dita que muitas famílias que vivem na Rio-Santos hoje estão passando por esse drama porque, em meados de julho de 2019, a Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Obras, integrou una operação do DNIT que, na época, notificou dezenas de moradores para que desocupassem suas casas em 15 dias, apesar de estarem ali há anos. Uma tremenda covardia…

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