16 de abril de 2020

Frase do dia

Fico na frente da televisão para aumentar o meu ódio. Quando minha cólera está diminuindo, eu sento na frente da televisão e, em pouco tempo, meu ódio volta. (Rubem Fonseca)

Blackfriday

Com a notícia divulgada pela prefeitura de Mangaratiba quanto ao cadastramento de comerciantes para fornecer cestas básicas a serem adquiridas com recursos do Fundo Municipal de Assistência Social, duas observações são necessárias: primeiro, interessante e altamente louvável a preocupação do poder público em valorizar o comércio local criando um mecanismo para movimentar a economia municipal. Segundo, entretanto, há que se tomar cuidado, posto que já há mercados no município aumentando o preço de alguns produtos sem nenhuma justificativa. É prudente que não se abra espaço para alguma forma de “blackfraude” onde tudo custará aos cofres públicos “a metade do dobro”.

Blackfriday II

Como não haverá distribuição direta de dinheiro nas mãos das famílias cadastradas e sim de um “voucher” (espécie de vale que assegura um crédito para despesas com mercadorias), talvez seja oportuno que o poder público estabeleça alguma forma de lista básica de produtos e preços máximos aceitáveis.

Pós verdade

No cenário nacional, o dia de ontem foi praticamente todo ele dedicado ao “cai-não-cai” do secretário nacional de vigilância sanitária e do ministro da saúde. Tudo durou apenas até às cinco horas da tarde, quando o secretário, ao lado do ministro e do secretário executivo do ministério, apareceu para a entrevista diária sobre a situação da pandemia no Brasil. Um balde de água fria para todos os que torciam por mais um escândalo dentro do governo. Todavia, ao que parece, a insistência da imprensa é tanta que o palácio do planalto já avalia sim, nomes para substituir o ministro e seus secretários.

Pós verdade II

Faleceu, ontem, aos noventa e quatro anos, o escritor Rubem Fonseca. Mago das palavras, ele chegou a utilizar o recurso de escrever um conto inteiro, sem pontos, apenas vírgulas, para levar ao leitor a sensação de falta de ar quando o personagem se afogava. A referência vem a propósito do uso de adjetivos nas reportagens, especialmente televisivas. Indicando, claramente, a intenção de disseminar receios na população, muitos profissionais, ao invés de dizer “aqui na região há pessoas saindo às ruas”, dizem “contrariando recomendações das autoridades, infelizmente há pessoas saindo às ruas.”

O mundo dos ricos e o mundo dos pobres

“Ontem gastei meus últimos vinte reais comprando arroz e pescoço de galinha para fazer comida em casa. E depois de amanhã?”, disse um morador do município que trabalha como ajudante de obras. Os especialistas, na televisão, dizem que é fundamental que todos permaneçam em suas casas, no chamado “distanciamento social”. Todavia, os números da pandemia, no Rio de Janeiro pelo menos, apontam que os bairros com mais registros de casos de contaminação são as áreas mais ricas da cidade: Barra da Tijuca, Recreio, Copacabana, Ipanema. Justamente  os locais onde mais existem condições para se ficar em casa assistindo netflix, pedindo comida por Ifood e conversando com parentes via Skype.

Autor: Prof. Lauro

Psicólogo, Professor Universitário, aposentado, e escritor, 72 anos, divorciado, três filhas e seis netos. Com residência de temporada em Itacuruçá desde 1950 e definitiva a partir da aposentadoria em 2001.

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