26 de março de 2020

Frase do dia

E virá como guerra a terceira mensagem. Na cabeça do homem, aflição e coragem. Afastado da terra ele pensa na fera que o começa a devorar (A terceira lâmina – Zé Ramalho-1981)

Cidade deserta

Sem turistas, nem transportes públicos para visitantes de um dia e com absoluta obediência da população e comerciantes às regras determinadas pela administração pública, as ruas e praias do município estão quase totalmente vazias. No entanto se, de um lado, ganha-se em prevenção contra a pandemia, de outro, já começaram a ser registrados preocupantes episódios de segurança pública, como notícias de que teriam acontecido arrombamento de quiosques em Muriqui, um grupo de desconhecidos moradores de rua perambulando pelos distritos ou de um casal gay, totalmente pelados, praticando sexo em plena luz do dia na praia de Itacuruçá.

Crédito emergencial

Crédito emergencial

Nem tudo o que reluz

Será que a fala do Bolsonaro está tão longe da realidade assim? Alinhado com o presidente, o ministro da Saúde, afirmou que as restrições impostas nos estados, como fechamento de comércios, são péssimas para o setor de saúde durante a pandemia. Apesar de afirmar que não irá pedir aos governadores para afrouxarem as medidas, ele disse que alguns estão percebendo que aceleraram nas decisões e que será necessário fazer ajustes. “Tem médicos fechando consultórios. Daqui a pouco estou lá cuidando de um vírus, mas cadê o pré-natal? Cadê o cara que está fazendo a quimioterapia? Não dá para chegar e dizer o que é essencial. Se precisar de um mecânico para consertar uma ambulância, ele é o mais essencial naquele momento”. Ele disse ainda que medidas restritivas, como fechamento de aeroportos e rodovias, podem atrapalhar, por exemplo, o funcionamento de fábricas de equipamentos médicos e suprimento de materiais, como máscaras.

Nem tudo o que reluz II

Segundo o ministro, as ações precisam ser sincronizadas e não devem atender motivações políticas, como ele tem visto em alguns casos. É continuar com o hábito de higienização, manter distância de filas e condução. Fora isso, como irão chegar os mantimentos para abastecer a mesa dos brasileiros? Os governadores já falam em meses de quarentena. Você que tem comércio pode ficar esse tempo sem ganhar dinheiro? O estado vai arranjar dinheiro onde, pra cumprir os pagamentos de salários, pensões, benefícios sociais, etc. sem pagamento de impostos. As indústrias vão quebrar e, quebrando, não haverá empregos. E o que dizer para aquela grande parte da população que, como se diz por aí “vende o almoço para ganhar o jantar?”

Nem tudo o que reluz III

Enquanto todos os holofotes estão voltados para o covid19, o número de vítimas de outra doença já bastante conhecida tem aumentado significativamente no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde, até 1º de fevereiro de 2020, foram registrados 94.149 casos de dengue no país. Até o momento, foram confirmados quatorze óbitos. A faixa etária acima de 60 anos concentra metade dos óbitos por dengue. No mesmo período de 2019, foram registrados 79.131 casos e 58 óbitos por dengue. Em todo o ano passado, foram 1.544.987 casos da doença e 782 mortes.

Nem tudo o que reluz IV

Outra contaminação bastante séria continua “correndo frouxo” pelo país sem que, nem autoridades, nem mídia, deem a mesma atenção ao fato, o sarampo. Depois de décadas de grandes progressos, a luta contra o sarampo está estagnando e o número de mortes voltou a aumentar, de acordo com alerta da Organização Mundial da Saúde. No total, 142 mil pessoas morreram de sarampo no mundo em 2018. As crianças representam a maior parte das mortes. O sarampo é um vírus muito contagioso, que pode permanecer em uma área até duas horas depois de que uma pessoa infectada tenha falecido. Ressurgiu com epidemias nos cinco continentes desde 2018, sobretudo, em cidades ou vizinhanças com baixos níveis de vacinação. Neste ano de 2020, o Ministério da Saúde lançou a Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo. A meta da pasta era vacinar três milhões de crianças e jovens de 5 a 19 anos. O período de vacinação foi até o último dia 13 março. Os números finais, no entanto, mostraram que menos de dez por cento do público alvo compareceu para receber a vacina, ou seja, mais de dois milhões e setecentas mil crianças ainda correm risco de contrair sarampo.

Doença de rico

Ninguém está ligando a mínima para a saúde pública, nem as autoridades e nem a elite assustada. Jamais ligaram, em toda a vida. Porque iriam ligar agora? Só se tocam por que acham que dessa vez o bicho pode pegar rico, político, empresário, celebridade, jornalista, gente culta e por aí vamos. Não é nem uma questão de dinheiro, é uma questão de posição social, que fica tanto mais grave quanto mais alto é o galho no qual você está montado. A saúde pública continuará a droga que sempre foi. Coronavírus? Ninguém precisa de coronavírus para morrer no SUS por falta de atendimento médico correto, falta de remédios, falta de equipamento, falta de leitos, falta de tudo. Estão morrendo há mais de 30 anos, sem uma mesa redonda de televisão nem editoriais indignados pra mencionar o assunto. Este é o Brasil que existe. (J.R Guzzo – Jornalista)

Para descontrair

Relato de uma avó à beira de um ataque de nervos: “Gente, venho aqui solicitar o apoio de vocês em uma campanha. Assim que encontrarem uma vacina, cura ou tratamento para o COVID, a prioridade tem que ser dada aos Professores, Tias de creches e Merendeiras, porque precisamos mandar essas crianças para o lugar de onde elas nunca deveriam ter saído! Gente do céu, o que é esse isolamento com criança? Deus me livre! Gosto de criança? Gosto. Estou acostumada a ter a casa cheia delas? Estou! Mas eu sempre vivi isso em período de férias e férias é aquilo, né? Eu levo a molecada pro clube, pra praia, pro parque. Agora, em isolamento não tem para onde ir. E essas pragas fazem o que? Me cansam! E ainda tem um detalhe: eu não estou de férias, estou em Home office, que também já mudei o nome para Hell’s Office. E a fome dessas criaturas? É uma coisa sem fim. Esses demônios querem comer sete vezes por dia: é café da manhã, lanchinho, almoço, lanchinho de novo, jantar, mais um lanchinho e tem um leitinho antes de dormir. E entre uma refeição e outra ainda perguntam se não tem gelatina. Aqui em casa, a saga da comida tem horário estendido porque as crianças se organizaram em um esquema de rodízio, então o Theo me acorda as 6:00 com um “Vó, tô com fome” e a Elisa vai dormir às 00:00, me pedindo o último leite. E esse Theo, gente? Ô moleque que come! Ele fica falando para todo mundo que vai ser goleiro. É mentira! Qualquer um que vê o menino almoçando sabe, que o que ele vai ser é pedreiro especialista em bater laje. Esses dias, eu não tinha nem terminado de arrumar a cozinha do almoço ele me aparece com a cara mais lavada do mundo: “Vó o que tem no armário? Tô com fome.” Ah Theo, não é possível.! Bebe um copo de água que passa. “Vó eu tô com fome, não tô com sede.” Então mistura um envelope de Sazon e finge que é sopa, desgraça! Pensa que ele aceitou? Não aceitou não! Fui obrigada a dar duas bananas e um copo de suco para ele. E eu aqui, vendo o povo criticar o chinês que comeu o morcego, e pensando: coitado do Chinês! Aqui em casa, se faltar arroz para esses moleques, eles comem até o Drácula, que dirá um morcego que é pequenininho. O vírus do Corona? Tenho certeza que ele não entra nesta casa, porque se entrar, as crianças vão colocar no meio da bisnaguinha e mandar para dentro falando que tem gosto de Yakissoba. Gente a coisa é séria. Mais do que hospitais, precisamos é de escolas infantis em funcionamento, pois se continuar nessa passada e se depender da molecada, a comida do mundo acaba antes do sistema de saúde entrar em colapso. Tô desesperada. É sério!” (Autora: Mirtis Fernandes)

Autor: Prof. Lauro

Psicólogo, Professor Universitário, aposentado, e escritor, 72 anos, divorciado, três filhas e seis netos. Com residência de temporada em Itacuruçá desde 1950 e definitiva a partir da aposentadoria em 2001.

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