17 de março de 2020

Frase do dia

O homem é o único animal cuja existência é um problema que ele tem que resolver. (Erich Fromm)

A conta-gotas

Num primeiro momento, mais parecia alarmismo a enorme preocupação com o surgimento de um vírus de gripe lá do outro lado do mundo. Pareceu até exagerado que a presidência da república tivesse enviado dois aviões para ir à China buscar um grupo de cinqüenta brasileiros. Os dias passando e pouca informação adicional era divulgada à população. Nos últimos dias, no entanto, algumas autoridades da área começaram a “deixar escapar”, aqui e ali, que a coisa é muito mais séria do que parecia. Por exemplo, que a velocidade de contaminação pelo coronavírus cresce de maneira exponencial. Assim, a cada semana, em situações de rotina normal das cidades, o número de infectados será dez vezes maior do que na semana anterior, cem vezes mais, daqui a duas semanas; mil vezes mais dentro de vinte e um dias.

A conta-gotas II

Uma segunda informação, também liberada “de passagem”, no meio de entrevistas, refere-se à possibilidade do tempo de duração do surto. As atuais medidas de interrupção de atividades ou restrições à rotina das cidades estabelece um prazo de quinze dias. Segundo alguns infectologistas, no entanto, os modelos em estudo sugerem que teremos o tal do coronavírus circulando por aí pelo menos durante mais de noventa dias.

A conta-gotas III

Pouca gente também se deu conta de que, passados esses noventa dias, haverá muito o que fazer para a recuperação da economia. Com bares, restaurantes, cinemas, teatros e até mesmo a praia não recomendada, não demora começarão as demissões e falência de pequenos negócios. Na manhã de hoje, por exemplo, o governo do estado do Rio de Janeiro publicou decreto que, se de um lado, pretende criar barreiras para a proliferação do vírus, de outro mostra como a stuação será cada vez mais difícil para a economia do estado no futuro. Determinou ele a redução de 50% da capacidade de lotação de transportes públicos, e quando possível, com janelas abertas; que restaurantes tenham apenas 30% de sua capacidade, e que, caso seja possível, os clientes priorizem os serviços de entrega, que podem ser feitos no próprio estabelecimento. Shoppings funcionarão em um turno; Lojas dos shoppings estarão fechadas e só a praça de alimentação ficará aberta; Os bares e restaurantes das praças devem funcionar com 1/3 das mesas; Academias devem ser fechadas.

Mangaratiba

O prefeito de Mangaratiba também assinou dois novos decretos que visam resguardar, prevenir e proteger a população em meio a pandemia do Covid-19. O Decreto N.º 4.191 proíbe a operação e a movimentação, seja de embarque ou desembarque de passageiros ou cargas, nas áreas dos Cais/Píer de Conceição de Jacareí, Itacuruçá e Catita. Já o decreto N.º 4.192 dispõe de algumas medidas que terão que ser adotadas na cidade para reforçar o combate ao coronavírus. Restaurantes, lanchonetes, bares e similares deverão funcionar até as 22h, e disponibilizar álcool gel 70% na entrada do estabelecimento para uso dos clientes. Além disso, deverão dispor de anteparo salivar nos equipamentos de bufê; oferecer mesas com a distância mínima de um metro e meio entre elas; aumentar a frequência de higienização de superfícies e manter ventilados ambientes de uso dos clientes.

Mangaratiba II

O decreto determina, ainda, a proibição da entrada e circulação de ônibus de excursão, microônibus, vans e similares no município, inclusive para as modalidades day use e city tour. Passeios de barco também estarão suspensos, assim como, a emissão de taxas e selos de fretamento turístico no período do referido decreto. Outra medida adotada é referente ao setor de hospedagem. Este não poderá aceitar reserva de estrangeiros e caso receba hóspedes advindos de locais com casos confirmados de COVID-19, será obrigatório o preenchimento de termo próprio de responsabilidade e questionário de saúde, contendo informações necessárias ao sistema de saúde local.

Gripe espanhola

Há exatos cento e dois anos, entre 1918 e 1920, o mundo foi assolado por uma gripe do tipo influenza H1N1, que, segundo cálculos, matou cerca de cinqüenta milhões de pessoas.No Brasil, os números falam em cerca de trinta e cinco mil mortes. Naquele tempo, os períodos de periculosidade de infecção levaram à imposição de medidas sanitárias. Foram fechadas escolas, estabelecimentos comerciais, cinemas, cabarés, bares, festas populares e partidas esportivas foram proibidas, tudo isso para evitar a aglomeração de pessoas. Isto, pois, as atividades que exigiam maior contato interpessoal aumentavam as chances de contaminação. Foram meses em que a vida social limitou-se ao máximo. As recomendações para se evitar a gripe espanhola, que assolou o mundo em 1917, segundo a mídia da época.

De carona no bonde

O Instituto de Defesa do Direito de Defesa entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal pedindo a libertação de grupos específicos de presos, para evitar a disseminação do coronavírus nos presídios, considerados ambientes de alta vulnerabilidade. A ideia é beneficiar pessoas com mais de 60 anos, soropositivos para HIV, portadores de tuberculose, câncer, doenças respiratórias, cardíacas, imunodepressoras, diabéticos e portadores de outras doenças que possam agravar a saúde do paciente a partir do contágio pela nova doença. O pedido também pede a libertação de gestantes, lactantes e acusados de crimes não violentos. O relator é o ministro Marco Aurélio Mello que poderá conceder ou negar a liminar a qualquer momento. Na ação, o IDDD lembra que, em 2015, o plenário do STF reconheceu o estado de coisas inconstitucional do sistema carcerário brasileiro, pelas violações de direitos humanos e situação degradante. Além do pedido de liberdade condicional para idosos, o IDDD requer regime domiciliar às pessoas presas nos grupos de risco e solicita também a substituição de privação de liberdade por medidas alternativas, principalmente a prisão domiciliar, para todos os presos provisórios e os novos custodiados em flagrante por crimes sem violência ou grave ameaça. O instituto solicita ainda progressão antecipada da pena para aqueles que já estejam em regime semiaberto e progressão de regime de quem aguarda exame criminológico.

Autor: Prof. Lauro

Psicólogo, Professor Universitário, aposentado, e escritor, 72 anos, divorciado, três filhas e seis netos. Com residência de temporada em Itacuruçá desde 1950 e definitiva a partir da aposentadoria em 2001.

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