07 de março de 2020

Frase do dia

Existe uma desgraça maior que morrer de fome no deserto: é não ter o que comer na terra prometida. (José Américo)

O circo continua

Os fundamentos utilizados pela comissão processante da câmara municipal de Itaguaí, para cassar o mandato do prefeito Charlinho e de seu vice Abeilard Goulart são tão frágeis que já se encontram em fase de recurso na justiça. De acordo com estudiosos das questões jurídicas, é provável que a situação seja revertida nos próximos dias, tantas são as impropriedades e nulidades processuais. O que se sabe, até o momento, é que ontem mesmo, logo após a proclamação da decisão, os advogados do prefeito e do vice já ingressaram com pedido judicial de revisão e reversão da cassação.

O circo continua II

Na tentativa de dar como “coisa consumada” a situação de cassação do prefeito Charlinho, menos de uma hora depois da posse do vereador Rubem Vieira como prefeito interino, as sedes de todas as secretarias municipais de Itaguaí foram praticamente invadidas por pessoas se dizendo “representantes” de vereadores que assumiriam as pastas. O interesse principal, no entanto, estava em assumir o controle da distribuição de cestas básicas, colchonetes e outros produtos destinados à parte da população atingida pelas chuvas do último final de semana. No caso da secretaria de educação, foram repelidos, de forma enérgica, porque sequer traziam em mãos qualquer tipo de documento oficial com a exoneração do responsável pelo setor e a nomeação para o cargo.

O circo continua III

Logo nas primeiras horas após a confirmação do afastamento do prefeito e do vice, ficou claro que os vereadores, em nenhum momento, pensaram na população e na paralisação da rotina, o que está levando diversos moradores do município, inclusive muitos que dizem não terem votado no Charlinho a condenar a manobra. Antes mesmo do meio dia, desligaram o sistema de andamento eletrônico de processos administrativos o que significa a total interrupção de atividades como compra de mantimentos para as escolas e hospital, pagamento de fornecedores, concessão de benefícios a servidores e, até mesmo, coloca em risco o previsto e esperado concurso público cujas inscrições se encerram em dez dias.

Dia de vacinação

E quanto ao “grande circo”?

Artigo do jornalista J.R. Guzzo a respeito das manifestações em nível nacional previstas para o próximo dia 15 de março: “É muito ruim que uma parte da população brasileira encontre razões para sair de casa no dia 15 de março e ir à praça pública manifestar sua hostilidade, desrespeito e desprezo pelo Congresso Nacional. O Congresso é uma peça essencial da democracia – não pode ser considerado um inimigo do povo em nenhuma sociedade que pretenda ter uma vida democrática. Tão ruim quanto isso são as tentativas, por parte dos que se apresentam como os marechais-de-campo do Estado de Direito, de negar o direito moral dos manifestantes a fazer o seu protesto, ou de acusar de serem inimigos da democracia os brasileiros dispostos a se manifestar no dia 15. Pior que as duas coisas, porém, parecem ser as demonstrações explícitas de cegueira quanto à questão básica disso tudo: de quem é a culpa pelo que está acontecendo? Os grupos de direita que organizam as manifestações são, certamente, peças fundamentais na criação dessa fervura. As forças que gostariam de eliminar a democracia no Brasil também existem; estão ativas na ofensiva contra os políticos, simbolizados como um todo pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. Há nas redes sociais propaganda explícita e agressiva pregando a abolição do Estado de Direito. Também parece haver, dentro do governo, grupos determinados a agir em favor de um regime de força. O presidente e seus filhos atiçam abertamente a fogueira. Tudo isso é verdade. Mas não estão aí os verdadeiros responsáveis pelo clima criado contra parlamentares e Parlamento. Por mais que façam, nenhum deles conseguiria colocar multidões na rua se essas multidões, por conta absolutamente própria, não estivessem detestando, do fundo da alma, a maioria dos ocupantes de cadeiras no Congresso. Resumo, em português claro: os responsáveis diretos pela ida do povo às ruas no dia 15 de março são os próprios deputados e senadores, e ninguém mais. Dizer o contrário é mentira. Não mencionar a culpa direta dos parlamentares pelo que está acontecendo pode ajudar a compor belas construções de pensamento, sobretudo quando acabam por jogar a culpa de tudo no presidente da República – mas é apenas mentira”.

Autor: Prof. Lauro

Psicólogo, Professor Universitário, aposentado, e escritor, 72 anos, divorciado, três filhas e seis netos. Com residência de temporada em Itacuruçá desde 1950 e definitiva a partir da aposentadoria em 2001.

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