04 de março de 2020

Frase do dia

Esperteza, quando é muita, vira bicho e come o dono. (Tancredo Neves)

O canto da cigarra

Na manhã de hoje, em vários pontos do município, foi possível ouvir cigarras cantando. Segundo a tradição popular, isso significa que vem por aí dias de sol. Também indica que chegou a hora de contabilizar os prejuízos, as ações que deram certo e algumas verdades.

O canto da cigarra II

Dois destaques principais se sobressaíram nos últimos quatro dias no município. O primeiro, a competente articulação do poder público no socorro a desalojados e desabrigados, bem como na recuperação quase imediata de áreas onde ocorreram deslizamentos de terra, queda de árvores ou pedras. O segundo, a impressionante corrente de solidariedade que se formou em todo o município para o atendimento aos mais atingidos. Destacamos, pedindo desde logo desculpas por algum esquecimento, o trabalho das equipes da Assistência Social, o emprenho de grupos como dos funcionários do hotel Portobelo, de um grupo de jovens do Parque Bela Vista, de comerciantes de vários distritos, do sempre presente “papai-noel” Beto Marçal, da cantora de Muriqui, Mary Novaes, que se dispôs a permanecer horas numa praça de Muriqui recolhendo doações e uma infinidade de pessoas, através das redes sociais, se colocando à disposição naquilo que pudessem ajudar. Sentiu-se falta da presença e participação mais efetiva de alguns vereadores e postulantes a cargos nas eleições de outubro.

O canto da cigarra III

Vale repercutir a colocação da Leila Castro, através das redes sociais: “Passado o momento inicial de mobilização em torno da solidariedade, precisamos nos mobilizar para sanar as consequências das chuvas em nosso município. Isso requer mais empenho de todos nós e do governo. Cuidados com limpeza de ruas, atenção na saúde com diagnóstico para leptospirose, lembrem-se que tivemos casos, nas chuvas do ano passado, mesmo sem termos o comunicado oficial. A saúde precisa entrar em campo, com sua equipe para ajudar a orientar munícipes e serviços públicos quanto aos focos de mosquitos, também. O Aedes egyptus, ainda é nossa maior preocupação e as enfermidades transmitidas são incapacitantes ou mesmo fatais. Também não podemos esquecer a chegada do coronavírus no país. Campanha de vacinação para sarampo e gripe que são nossos velhos vilões já conhecidos. E nós, munícipes, temos que firmar compromisso de fiscalização uns dos outros, cobrar ações do executivo e provocar uma real mudança de comportamento. Só assim, iniciaremos uma relação de respeito que poderá evitar ou minimizar outras dores coletivas.” (Leila Castro, via facebook)

O canto da cigarra IV

Passado o susto, algumas verdades merecem e precisam ser ditas. Nos últimos dias, diversas regiões do Rio foram atingidas por uma enorme quantidade de chuva, e entra sempre em questão, a quem atribuir a responsabilidade do desastre: prefeitura, população, natureza? O certo é que a lição que devemos tirar desses eventos é de que cada um tem sua participação. Aqui em Mangaratiba, região conhecida há séculos, pela significativa incidência de chuvas, nunca (ou quase nunca) esse elemento foi levado em conta na hora de tolerar, autorizar ou regularizar construções em áreas de risco. Não se trata, apenas, de limpar bueiros. Em todos os distritos existem áreas onde, ao longo dos últimos trinta anos, permitiu-se construções inicialmente irregulares que, depois de instaladas, tornaram impossível a readequação exigida pela natureza. Estão neste caso, em Itacuruçá, a Vila Benedita e as residências do Axixá às margens da RJ 14; em Muriqui, os bairros Cachoeira I e Cachoeira II; algumas áreas da RJ 14 no alto do sahy, Ibicuí e descida para a “toca da velha”, Nova Mangaratiba e outros, construídos em áreas impróprias desde os primeiros lotes e posteriormente legalizados por conta de interesses políticos.

Autor: Prof. Lauro

Psicólogo, Professor Universitário, aposentado, e escritor, 72 anos, divorciado, três filhas e seis netos. Com residência de temporada em Itacuruçá desde 1950 e definitiva a partir da aposentadoria em 2001.

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