26 de dezembro de 2019

Frase do dia

“Todos os seres são iguais, pela sua origem, seus direitos naturais e divinos e seu objetivo final.” (São Francisco de Assis).

O Natal – por Aylton Mattos

Dia 25 de dezembro no mundo cristão comemora-se o Natal, o nascimento de Jesus Cristo. Jesus nasceu em um estábulo e colocado em uma manjedoura. Um estábulo é onde se guardam os animais. Maria está deitando Jesus na manjedoura, que é onde se põe a comida para os jumentos e outros animais. (Lucas 2:1-20.) Durante sua existência entre nós viveu de forma humilde, com os humildes, os pobres, oprimidos, por um sistema cruel como era o império romano. Não nasceu em um “berço de ouro”, entre os ricos e poderosos. Seu pai José, foi obrigado a ir para Belém, porque o imperador Cesar Augusto havia decretado que todos tinham de voltar à cidade natal para registrar seu nome num livro, na sua cidade de nascimento. Milhões de crianças nascem em “estábulos”, e vivem em “estábulos”, sem a mínima assistência de saúde. Essa situação nos faz refletir o quanto hoje é escondido este fato ocorrido há mais de dois mil anos na humanidade, nos Shoppings não há presépios, imagens cristã. O consumismo é incentivado diariamente, “Papai Noel” da Coca-Cola é nos mostrado como grande símbolo do Natal.

O Natal II

O Natal de Cristo Jesus é a negação do que hoje simboliza para a sociedade capitalista o Natal. Também Jesus jamais nos disse que deveríamos se submeter à opressão, conformar-se com a vida de pobreza, de miséria. Exemplificou com a vida que teve, de enfrentar os poderosos, os ricos, questionou a falsa fé, dos que até hoje utilizam o nome de Deus para enriquecer. Nasceu em um estábulo, logo foi perseguido pelos poderosos que assassinaram centenas de crianças a sua procura, seu pai e mãe tiveram que emigrar para o Egito. Hoje milhões de crianças emigram com seus pais que fogem da miséria, da guerra, muitas estão presas, como nos EUA cerca de mais de cem mil crianças estão enjauladas, filhas de emigrantes. Deus fez a Terra para que todos os seres humanos possam usufruir as riquezas de nosso planeta e tudo que o homem transforma possam todos também usufruir, seja material, como do conhecimento. O ladrão são os poderosos, roubam, matam e destroem vidas, vejam os hospitais públicos, a milhares de pessoas que moram em favelas em condições terrivelmente precárias, recebem miseráveis salários, quando conseguem estudar, em escolas e ensino precários, são humanos que nós. (João 10.10, Jesus diz: “O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”.) Neste Natal não sejamos Coca-Cola, sejamos cristãos, e ser cristão todos os dias, amor ao próximo, amor a Deus, vigiai e orai (Mateus 26,41- Vigiai e orai, para não cairdes em tentação.) diante do individualismo, da inveja, da ganância, do ódio. Lutar contra as injustiças, um cristão luta pela liberdade, pela vida. Um cristão não diz “bandido bom é bandido morto”, um cristão não apenas crê, mas pratica o evangelho com a fé.

O Natal III

Ir aos templos, as igrejas, pensando apenas em si, na sua salvação é egoísmo, enquanto milhares estão a passar fome material e espiritual é muita soberba em pensar que o mundo não presta e só você é o melhor, que o céu será só seu. Muitos seres humanos precisam da nossa ajuda e também precisamos da ajuda deles. Precisamos compartilhar a fé, construir juntos um mundo solidário, com amor. Certamente que seremos perseguidos, condenados, odiados, caluniados por aqueles que querem manter a mentira, a miséria, a ignorância de muitos, para melhor dominar e manter seus grandes privilégios. Tentarão nos subornar seja materialmente como intelectualmente, dizendo que o mundo sempre foi assim, nada irá mudar, para nos desanimar. Temos que pensar assim: “Não nos deixei cair em tentação, livrai-nos de todo o mal”.

O Natal IV

Palavras do Papa Francisco nos faz refletir: “O Espírito Santo convida-nos a descer ao meio do povo para ouvir o clamor, envia-nos para abrir possibilidades a caminhos de liberdade que levam a terras prometidas por Deus. Reconhecemos que as coisas não andam bem num mundo onde há tantos camponeses sem terra, tantas famílias sem teto, tantos trabalhadores sem direitos, tantas pessoas feridas na sua dignidade? Reconhecemos que as coisas não andam bem, quando explodem tantas guerras sem sentido e a violência fratricida se apodera até dos nossos bairros? Reconhecemos que as coisas não andam bem, quando o solo, a água, o ar e todos os seres da criação estão sob ameaça constante? Então digamos sem medo: Precisamos e queremos uma mudança. A globalização da esperança, que nasce dos povos e cresce entre os pobres, deve substituir esta globalização da exclusão e da indiferença.

O Natal V

O Papa Francisco apontou algumas tarefas para a mudança: a primeira é pôr a economia ao serviço dos povos. “A economia não deveria ser um mecanismo de acumulação, mas a condigna administração da casa comum” – evidenciou o Santo Padre que lembrou as necessidades de educação, de saúde, de cultura, de desporto e recreação. Afirmou mesmo que esta economia ao serviço dos povos não é uma utopia ou uma fantasia, mas é desejável e necessária. “Conheci de perto várias experiências, onde os trabalhadores, unidos em cooperativas e outras formas de organização comunitária, conseguiram criar trabalho onde só havia sobras da economia idólatra. As empresas recuperadas, as feiras francas e as cooperativas de catadores de papelão são exemplos desta economia popular” – afirmou o Papa. (fonte: https://www.vaticannews.va/…/papa-francisco-por-uma-nova-ec… )

Autor: Prof. Lauro

Psicólogo, Professor Universitário, aposentado, e escritor, 72 anos, divorciado, três filhas e seis netos. Com residência de temporada em Itacuruçá desde 1950 e definitiva a partir da aposentadoria em 2001.

3 comentários em “26 de dezembro de 2019”

  1. Frase do dia

    “Todos os seres são iguais, pela sua origem, seus direitos naturais e divinos e seu objetivo final.” (São Francisco de Assis).

    NÃO ENTENDI.
    Tem explicação uma besteira destas com ares proféticos ?
    Direitos divinos?
    Objetivo final?
    Direitos naturais?
    E origem?
    Só faltou falar em terra plana…

    1. Xicão é um papa chato como todos os outros.
      O que piora é que é argentino e tenta atualizar o inatualizável.
      Ele devia tentar seguir aqueles deuses indianos que têm muitos mais seguidores.
      Deuses desde a antiguidade tem para todos os gostos…

  2. Caro Prof. Lauro e leitores,

    Certamente o Natal de Jesus foi bem diferente daquele que hoje se costuma vivenciar nas confraternizações familiares. Segundo bem compartilhou um amigo no Facebook, morador de Campo Grande (RJ):

    “DESDE CRIANÇA o Natal me provoca algo melancólico. Não sei porquê. Talvez aquele disquinho compacto antigo com músicas natalinas que meu pai sempre colocava para tocar…talvez o clima que não é nosso, tipo neve caindo e Papai Noel com uma roupa que o faria ter uma síncope no verão brasileiro…ou talvez porque tudo e tudo vira mercadoria…as movimentações na igreja eram até divertidas mas as músicas dos corais também tinha um que de melancólico…não sei. A própria história do nascimento de Jesus é bem melancólica. Tem Herodes assassinando recém-nascidos, tem a família de Jesus fugindo para o Egito, tem a volta difícil em uma viagem estafante, tem a falta de lugar para o Menino nascer…é trágico. O mais legal na história é a estrela e os magos com seus presentes simbólicos. Toda a história é simbólica, certamente. Mas aponta para algo de esperança concreta. “Um filho vos nasceu…” é a celebração do nascimento que vence todas as opressões e dificuldades.
    Mas talvez o que me deixe com mais melancolia é ter que falar “Feliz Natal” e aqueles frases feitas. Odeio frases feitas do tipo….”Feliz aniversário”, “Feliz páscoa”, “Feliz ano novo”….No fundo, no fundo, talvez, eu seja um chato melancólico.” (Eduardo Medeiros de Jesus)

    Neste ano, em que passei o Natal com a esposa internada no hospital do CEMERU, e tendo que ainda dividir o tempo trabalhando num caso urgente em pleno recesso do Judiciário, consigo identificar-me com o que podemos chamar de Natal dos aflitos.

    Infelizmente, transformamos as ocasiões de significação “espiritual” em meros eventos culturais. Afastamo-nos da essência da Mensagem de amor, de luta pela justiça e pela paz, da busca da compreensão, do exercício da tolerância e da moderação, bem como da verdadeira alegria na qual o contentamento deve ser encontrado nas coisas permanentes da existência humana.

    Quanto à mensagem do papa Francisco, apesar de eu não ser católico e não ter certezas quando à a metafísica, seus sermões sempre são atuais, práticos e voltados para a essência daquilo que podemos chamar de termos uma vida em Cristo, o que inclui o combate às injustiças. Inclusive no aspecto social.

    Feliz Natal e que possamos aplicar esses ensinos transmitido pelo pontífice em nosso Município que até hoje é extremamente injusto e individualista.

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