29 de novembro de 2019

Frase do dia

Ninguém é igual a ninguém. Todo ser humano é um estranho ímpar. (Carlos Drummond de Andrade)

Câmara online

Frustrante, a tentativa de acompanhar a sessão da câmara municipal de Mangaratiba do dia de ontem. Não conseguiram disponibilizar imagens, apenas áudio.

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Ao estilo “bom, bonito e barato”, uma pousada de Itacuruçá mandou fazer e distribuiu pelo comércio local seis banners contando um pouco da história do distrito com texto em português, inglês e francês.

Assunto do dia

No Brasil, o capitão do mato foi o serviçal encarregado da captura de escravos fugitivos. Na sociedade, gozavam de pouquíssimo prestígio social e eram suspeitos de sequestrar escravos apanhados ao acaso, esperando vê-los declarados em fuga, para devolvê-los aos donos mediante o pagamento de recompensa. No final da escravidão, em 1887-88, quando os escravos fugiam em massa das fazendas, os chefes do Exército, ainda gozando do prestígio de combatentes da guerra do Paraguai, recusaram-se a assumir a desprezada tarefa de capturar escravos. O artista alemão Rugendas, viajando pelo Brasil entre os anos de 1822 e 1825, retratou um capitão do mato negro, montado a cavalo e puxando um cativo (também negro) com uma corda.

Capitão do mato

As declarações do novo presidente da Fundação Cultural Palmares geraram críticas e indignação de representantes do movimento negro. Em redes sociais, Sérgio de Camargo disse que o movimento precisa ser extinto e que a escravidão foi terrível, mas benéfica para os descendentes. Representantes de movimentos negros dizem que estão surpresos com a nomeação. Em uma nota da Secretaria Especial da Cultura, Sérgio de Camargo é descrito como “católico e jornalista; com passagens por redações em São Paulo. Também como auxiliar particular de seu pai, o renomado escritor Oswaldo de Camargo, que em sua obra aborda temas ligados à temática negra”. Sérgio de Camargo usa as redes sociais para expor suas opiniões. Ele escreveu: “não há salvação para o movimento negro. Precisa ser extinto! Fortalecê-lo é fortalecer a esquerda”. Em outra postagem, ele afirma que “a escravidão foi terrível, mas benéfica para os descendentes, e que os negros do Brasil vivem melhor que os negros da África”. E, na semana passada, Sérgio criticou o Dia da Consciência Negra dizendo que “celebra a escravização de mentes negras pela esquerda, e que precisa ser abolido”.

Capitão do mato II

Líderes de movimentos negros estão reunindo assinaturas contra a nomeação. “O movimento negro surge no primeiro negro que foge da senzala. Não tem nada a ver com esquerda ou direita, tem a ver com uma questão social, uma questão do povo, a gente precisa entender a realidade da nossa sociedade. Quem não conhece o seu passado, não conhece o seu presente. Ele deveria conhecer o passado dele”, disse Silvio Henrique, do Conselho da Igualdade Racial. Um encontro na Assembleia Legislativa do Rio que era para ser uma comemoração, no encerramento do mês da consciência negra, se transformou num ato de protesto e de preocupação com o futuro da Fundação Palmares, criada há 31 anos. Entre os objetivos da fundação, promover e apoiar a integração cultural, social, econômica e política dos afrodescendentes, e implementar políticas públicas para dinamizar a participação dos afrodescendentes no processo de desenvolvimento sociocultural brasileiro. Na manhã dessa quinta-feira, em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro disse que não conhece Sérgio de Camargo.

Capitão do mato III

A historiadora Lilia Schwarcz, uma das maiores especialistas no estudo da escravidão, também criticou a nomeação. “A indicação desse presidente para a Fundação Palmares é uma grande contradição em seus termos. A Fundação Nacional Palmares foi criada no bojo das conquistas da Constituição de 1988, que foi uma constituição muito generosa no que se refere aos direitos civis, neste caso, aos direitos da população de raiz afro-brasileira; é uma contradição imensa o órgão ter na presidência um jornalista que diz que a escravidão foi benéfica para a escravo. Não foi.”

Capitão do mato IV

Não se sabe quais motivos levaram o secretário especial de cultura a indicar esse cidadão para presidir a Fundação Palmares. Nas redes sociais, até mesmo em sua própria página, seus amigos criticam suas posições e publicaram (várias vezes) links para um abaixo assinado pedindo sua demissão. Seu pai e seu irmão, através da mídia, também não apoiaram a escolha. Aliás, o epíteto “capitão do mato” foi dado por seu próprio irmão.

Capitão do mato V

Com o bom humor malandro da Vila Isabel, o cantor e compositor Martinho da Vila “lacrou” o novo presidente da Fundação Palmares simplesmente lembrando uma música de Noel Rosa, também de Vila Isabel: “Quem é você, que não sabe o que diz. Meu Deus do céu, que palpite infeliz”.

Autor: Prof. Lauro

Psicólogo, Professor Universitário, aposentado, e escritor, 72 anos, divorciado, três filhas e seis netos. Com residência de temporada em Itacuruçá desde 1950 e definitiva a partir da aposentadoria em 2001.

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