12 de novembro de 2019

Frase do dia

 O dom da fala foi concedido aos homens não para que eles enganassem uns aos outros, mas sim para que expressassem seus pensamentos uns aos outros. (Santo Agostinho)

188 anos

Ao completar 188 anos de emancipação política, Mangaratiba ainda preserva a memória de sua primeira Câmara Municipal. Em 11/11/1831, Mangaratiba conquistou sua emancipação política separando-se, definitivamente, da antiga Vila de São Francisco Xavier de Itaguaí. O patrimônio cultural que guarda memória desse fato histórico é o “Palacete do Barão”, (atualmente, de propriedade da família Simões) por ter sido a primeira sede da Câmara Municipal de Mangaratiba. Vale lembrar que, neste período, a Câmara era a instituição maior do município, pois ainda não existiam prefeituras. Significa que, além do Poder Legislativo, essa instituição possuía também a função administrativa, com o presidente da Casa, exercendo a função que hoje é atribuída ao prefeito. A primeira Câmara Municipal de Mangaratiba, composta pelo Padre Antônio Correa de Carvalho (Presidente), Luiz D’Avila Nóbrega (Secretário), Padre José Manoel Affonso Nogueira, Padre Manoel Álvares Teixeira, Antônio Gonçalves da Silva, José Ignácio Souto Bulhões e Luiz Fernandes Monteiro (barão do Sahy), funcionou provisoriamente de 6 de abril a 7 dezembro de 1832. Na sessão de 5/5/1832, Luiz Fernandes Monteiro fez a proposta de ceder a sala de seu palacete, gratuitamente, para Câmara, caso fosse eleito para o mandato de quatro anos. Porém, ao terminar o período provisório, foi realizada uma nova eleição, porém o barão não se reelegeu.

188 anos – segue

Como sua casa (atual Palacete do Barão) era a mais adequada para a realização das sessões da Câmara e funcionamento do Conselho dos Jurados, os vereadores se comprometeram a pagar pelo aluguel da mesma, uma quantia de quarenta réis anuais e continuaram, por muitos anos, estabelecidos dentro desse histórico sobrado. Podemos afirmar assim, que Mangaratiba nasceu no salão principal do “Palacete do Barão”, já que ali foram discutidas e aprovadas as ações que construíram o município recém- emancipado. Entre elas, podemos destacar o projeto para construção de uma estrada de rodagem para São João Marcos, a organização da Guarda Nacional, o arruamento e alinhamento dos rios no centro da nova vila, a organização dos limites e distritos do município, o estabelecimento do primeiro código de posturas e do ensino de primeiras letras. Sábio é o povo que preserva sua memória e seus patrimônios históricos! (Mirian Bondim – arqueóloga e historiadora)

188 anos – para ler e pensar

Quando me vejo hoje, tenho vergonha de minha história. Sinto piedade de mim mesma, pois não tenho forças para lutar contra aqueles que me usam, que dizem me amar e de mim só querem aquilo que posso ser roubada. Perdi minha dignidade ao longo de meus anos, e quando creio que terei o meu valor reconhecido, quando creio que minha beleza será admirada, que meus encantos serão suficientes para ser de fato amada, percebo que nada me restará. Pobre de mim que pouca dignidade tenho! Pobre de mim que me deixei enganar por falsos profetas! Que na busca de um Salvador, dei-me ao cruel malfeitor. Sou tola e envelheço maquiada com produtos de terceira e penso que linda e saudável estou. Sou culpada! Minha alma chora e meu corpo sucumbe! Preciso tentar ser de fato feliz. Sem medos, afinal meus encantos físicos e morais quase não mais existem. O que tenho a perder? Meu nome? Mangaratiba. Eu quero ser feliz! (Leila Castro – via facebook)

Temporada de chuvas

A transição da primavera para o verão sempre trás a possibilidade de ocorrência de chuvas fortes. No ano passado, justamente nessa época, ocorreu o deslizamento de parte da RJ 14, na altura do Axixá, que, apesar de todos os esforços, ainda continua interditada. Com a chuva de ontem, surpreendente em seu volume, uma casa desabou na região de encosta atrás do Centro Cultural (antiga estação de trens). A Defesa Civil esteve no local e não há notícia de vítimas.

Temporada de chuvas II

Ao que parece, tentando minimizar a importância do episódio, de resto sempre preocupante, a Defesa Civil municipal informou que, embora o nível de chuvas estivesse realmente muito alto na região, chegando próximo aos 70 milímetros em 24 horas, o deslizamento que houve foi pequeno, derrubando apenas um barracão de ferramentas de construção e não ocasionando vítimas ou grandes prejuízos.

Temporada de chuvas III

Já em Muriqui, a surpresa causada pelas fortes chuvas, especialmente para as equipes da administração do distrito, foi a quantidade de lixo carregado pelas águas nas ruas. Para aqueles que, como São Tomé “só acreditam vendo”, um deles fotografou um dos objetos levados pelas águas até a faixa de areia, uma geladeira.

Saída com honra

Em carta aberta divulgada através das redes sociais, o suplente de vereador Beto Durika, mesmo tendo permanecido apenas cerca de dois meses como titular, apresentou à população sua prestação de contas do que foi possível fazer no período. Disse ele em um trecho: “Bom dia meus amigos, aproveitando o aniversário da nossa amada e querida Cidade, gostaria de informar que desde o dia 31 de outubro não estou mais como Vereador de Mangaratiba, uma vez que o vereador que estava licenciado solicitou o seu retorno. Agradeço a Deus pela oportunidade que me concedeu, bem como aos funcionários da Câmara Municipal de Vereadores e aos nobres Edis por toda ajuda, carinho e respeito. Foram menos de dois meses, porém, foram dias de muito trabalho e comprometimento, onde procurei honrar e respeitar a confiança em mim depositada. Foram muitas indicações e entre elas destaco a minha primeira, que foi a solicitação ao Executivo Municipal para que seja implementada a Lei Municipal que Regulariza o Serviço de taxi boat nas praias do Município de Mangaratiba, causa essa que luto junto com meus amigos “barqueiros” a mais de 16 anos. Oportunamente publicarei as demais indicações que fiz durante o período em que estive como Vereador, para que possa dar maior transparência e satisfação a todos”.

Autor: Prof. Lauro

Psicólogo, Professor Universitário, aposentado, e escritor, 72 anos, divorciado, três filhas e seis netos. Com residência de temporada em Itacuruçá desde 1950 e definitiva a partir da aposentadoria em 2001.

2 comentários em “12 de novembro de 2019”

  1. Boa tarde, Prof. Lauro e leitores.

    A cada aniversário da cidade, sempre é uma oportunidade para revisitarmos o nosso passado sendo os estudos da ilustre historiadora Mirian Bondim trabalhos de grande valia para tais reflexões.

    Conforme compartilhei ontem nas redes sociais, através do texto “MAIS UM NÍVER DE NOSSA CIDADE!”, postado em minha página no Facebook, faltam apenas apenas 12 para comemorarmos os nossos dois séculos de emancipação, o que pode servir de rumo para recuperarmos o rumo do desenvolvimento econômico no decorrer da próxima década, com a devida sustentabilidade ambiental. Logo, torna-se indispensável planejar como pretendemos atravessar os próximos anos, sendo certo que esta década (perdida?) praticamente já findou.

    Tenho dito repetidamente que todos os projetos propostos e desenvolvidos pelos governantes só alcançarão o efeito desejado caso haja respeito pelo dinheiro público, controle e participação da sociedade, comprometimento dos gestores, fiscalização da parte dos vereadores e continuidade independentemente das mudanças que vierem a ocorrer no comando da Prefeitura. E alcançar o Município uma verdadeira autonomia econômica, bem como o seu morador, trata-se de uma conquista indispensável em todo esse desejado processo de desenvolvimento. Algo que, por sua vez, pode proporcionar reflexos positivos na autoestima do povo, libertando o cidadão dos cabrestos eleitorais e possibilitando que Mangaratiba passe a ter uma nova visão de si mesma.

    Voltando aos estudos da nossa historiadora, não custa lembrar que, durante o período imperial, a então Vila de Nossa Senhora da Guia de Mangaratiba foi mantida pela atividade portuária em que, além do escoamento do café, a economia do Município nutriu-se do repugnante tráfico de seres humanos. Só que, com o desvio da rota do café, através da chegada das ferrovias ao Vale do Paraíba, e, posteriormente, a abolição da escravatura (1888), houve um declínio até levar o Município à extinção em maio de 1892, situação esta que durou pouco mais de sete meses.

    Felizmente, naqueles anos sombrios, houve um homem de visão. Um vereador de nome José Caetano de Oliveira decidiu lutar para que a ferrovia chegasse até o Município e tomou essa iniciativa ainda em 1894.

    Deste modo, Mangaratiba soube dar a volta por cima sendo que, com a vinda do trem, em 1914 (duas décadas depois), a economia tornou a pulsar através da produção de banana e depois do pescado. Segundo Mirian Bondim, chegamos a ser o maior produtor de banana do país, o que impactou positivamente a região:

    “Grandes carregamentos desse produto chegavam às estações e paradas de trem, levados por tropas de burros, carroças e barcas. Os trens que circulavam por essa região, apelidados por “Macaquinhos”, por andarem abarrotados de bananas.”

    E continua o texto:

    “Além da lenha, do carvão e da banana, esses trens possuíam também vagões especiais destinados para o transporte de peixes. A pesca foi uma atividade presente em todos os períodos históricos de Mangaratiba e, também ficou mais incrementada com a chegada do trem. O último vagão ficou destinado somente ao transporte de peixes, devido ao mau cheiro que exalava. Caixas de pescado de qualidade saíam da Baía de Sepetiba, via Itacuruçá, repletas de cação, linguado, namorado, corvina etc. Uma grande estrutura voltada à navegação, à pesca e ao beneficiamento de peixes foi sendo criada nessa localidade com o estabelecimento da Capitania dos Portos do Rio de Janeiro, da Colônia de Pesca, de antiga Escola de Pesca Darcy Vargas, das fábricas de sardinha, do Iate Clube de Itacuruçá etc. Sobre os trilhos do trem, também chegava à região o que seria hoje a principal base econômica deste município: o turismo. Todo o litoral passou a viver a efervescência do turismo praiano. Nos finais de semana e em períodos de férias e feriados, os trens chegavam do Rio de Janeiro lotados de turistas que desembarcavam nas estações à procura das belíssimas praias e ilhas da região. Por todo o progresso e benefício que o trem trouxe a Mangaratiba, podemos considerar o ano de 1911 como um marco histórico do desenvolvimento deste município no período republicano.” (Conteúdo integrante do site oficial da Prefeitura de Mangaratiba, tratando-se de uma produção da Secretaria de Comunicação e Eventos, conforme consta em http://www.mangaratiba.rj.gov.br/novoportal/pagina/historia.html#ixzz6557Rz9ii )

    Assim também, concluo que, na atualidade, não podemos pesar que o Município perdeu o rumo, pois é possível inaugurarmos um novo ciclo de desenvolvimento aqui em que as oportunidades de geração de emprego e renda tornem-se possíveis pela via do empreendedorismo conforme a vocação regional, com respeito ao meio ambiente e suas peculiaridades geográficas. E, como escreveu a senhora Leila Castro, pseudônimo (não “fake”) da ilustre internauta Lilian Cesarino, precisamos “tentar ser de fato feliz”.

    Portanto, há um novo “trem” à nossa espera! Queremos ser felizes!

    Uma excelente semana a todos!

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