18 de setembro de 2019

Frase do dia

Enganam-se os que vão para Deus voltando as costas à natureza. Quem renegar a natureza, renega Deus. (Guerra Junqueiro)

Conecta

Ao melhor estilo “vapt-vupt”, no mesmo dia em que o prefeito municipal anunciou a obtenção de linha de crédito junto ao Banco do Brasil para enfrentar o problema do transporte público municipal, a câmara de Mangaratiba aprovou, em primeiro e segundo turno, as mensagens e pareceres de suas comissões temáticas aprovando a criação de uma autarquia municipal de transportes públicos, que terá o nome de Empresa Pública de Transportes Conecta. Outro detalhe interessante foi constatar que tudo aconteceu em menos de dez minutos, ao fim da sessão, como se pode ver na gravação da sessão disponibilizada na página da câmara. No vídeo, o tema entrou em pauta às 2:24:00. Cada parecer de comissão foi lido separadamente, bem como as mensagens do executivo. Todos na clássica forma de assunto já decidido nos bastidores com o presidente apenas perguntando: “Aqueles que aprovam permaneçam como se encontram”. Três segundos de pausa e logo o complemento “Aprovado”. A requerimento do vereador Bondim, secretário da mesa, foi aberta nova ordem do dia, na qual todas as mensagens e pareceres foram votados uma segunda vez. Todas as votações aprovaram os pareceres e mensagens por unanimidade e a sessão terminou às 2:33:00 do vídeo, ou seja, nove minutos depois.

Empresa de Transportes

As primeiras reações à iniciativa do executivo municipal de tomar a frente na luta pela melhoria do transporte público, foram do entusiasmo à descrença. Ambas as posições decorrentes do tipo de modelo de gestão que será adotado, se o de administração direta da frota, pessoal e manutenção ou se o de concessão, após licitação pública. A administração direta significará comprar ônibus, contratar motoristas, estabelecer oficinas, criar planos e programas de manutenção, etc. Segundo a Confederação Nacional dos Municípios, a Constituição Federal de 1988 estabelece que o ente federativo municipal é competente para organizar e prestar os serviços públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão.

Empresa de Transportes II

Nos municípios brasileiros, o modelo de gestão do transporte coletivo mais adotado é o de concessão a uma ou mais empresas do ramo. O fato de o sistema ser ofertado por grupos privados não exime a prefeitura de responsabilidade, já que ela continua responsável principalmente por monitorar o serviço dessas empresas. Outras decisões que continuam sendo da alçada do prefeito são a definição das tarifas do transporte coletivo e a concessão de benefícios, como os passes estudantis e para idosos. O interesse das empresas em disputar uma concessão dependerá de diversos fatores como: o tamanho da frota, a quilometragem rodada diariamente, a previsão do número de passageiros, entre outros aspectos relevantes. Entre os investimentos previstos na avaliação econômico-financeira, estão a aquisição de veículos, os locais que servirão de garagem e a estrutura para operar o sistema, além de custos operacionais, como custeio de equipe administrativa, mecânicos e combustível. Para que o sistema tenha validade e a Prefeitura possa conseguir colocar todos esses estudos realizados em benefício do projeto, é preciso partir para a parte da modelagem jurídica. Isso inclui a elaboração de um edital, a ferramenta adequada para que o poder público possa contratar uma empresa que vai operar esse novo sistema.

Empresa de Transportes III

Nos contratos de concessão dos serviços de transporte devem constar os intervalos entre os ônibus, garantindo maior economia. Os ônibus podem funcionar aos domingos e feriados, com intervalo maior que o habitual e tarifa mais acessível, facilitando o acesso da população às atividades de lazer. O edital referente à concessão de transporte de passageiros por ônibus deve ser publicado em Diário Oficial do Município. A nova licitação deve ter prazo e os consórcios deverão cumprir requisitos mínimos de operação, com o objetivo de tornar o serviço mais confortável, eficiente, econômico e com responsabilidade ambiental. O Município pode ter redes de transporte, o que permitir mais agilidade ao sistema, tendo como área comum regiões de integração com outros modais. (Documento em PDF produzido e divulgado pela Confederação Nacional dos Municípios disponível em https://bit.ly/2mkXyZL)

Merece registro

Carta publicada em rede social por um médico, testemunha ocular do trágico incêndio no Hospital Badin no último final de semana. “Centro Cirúrgico – Hospital Badim – 12/09/2019. Bom Dia amigos , gostaria de dar aqui o meu testemunho, entrei no centro cirúrgico do Badim ontem às 14h, em torno de 17:45, no decorrer da cirurgia que auxiliava, fomos informados de fogo no prédio antigo e por isso, deveríamos evacuar imediatamente o centro cirúrgico. Eu já havia visto isso em filmes, mas nunca pude imaginar que algo parecido poderia ocorrer comigo. Eu, 3 funcionários do hospital e a anestesista colocamos a paciente ainda entubada numa preencha, só deu tempo de pegar uma bala de oxigênio, um ambu e descer os 4 andares pela escada ventilando na mão. Na rua conseguimos extubar a paciente que foi transferida para o D’or. No caminho dos andares me impressionou a capacidade de mobilização dos funcionários para o resgate de Todos os pacientes. Se não fosse por eles, imagino uma tragédia maior. Havia um direcionamento muito eficaz agrupando os pacientes no quarto 223 que dava acesso às escadas laterais do prédio anexo. Isso gerou um fluxo ordenado de saída. Por conta dessa sinalização, não vi ninguém perdido pelos corredores, o que deve ter salvado muitas vidas. Utilizando essa escada externa, consegui subir outras 5 vezes descendo com pacientes que estavam sem possibilidade de caminhar, um deles da rpa ainda sob efeito de raquianestesia. Não foi fácil, pois devido ao peso , eram necessárias no mínimo 6 pessoas para descer cada paciente com segurança. Felizmente, com o grupo de funcionários ali presente fomos capazes de descer o máximo de pacientes possível, até que os bombeiros chegassem. Não havia fogo mas a fumaça quente se formou muito rápido e em minutos não era possível enxergar. Eu particularmente fico sentido por não conseguir ter feito mais, eu vi ao menos 7 leitos com pacientes em ventilação mecânica que não conseguimos retirar a tempo até que os bombeiros impedissem nossa subida devido ao risco inalatório. A partir daí somente eles com máscaras de oxigênio eram capazes de acessar o prédio. Não sou funcionário da rede, apenas um cirurgião que estava operando no momento do incidente. A meu ver, se não fossem a garra e organização dos funcionários para salvar o máximo de pacientes possível nos 45minutos cruciais (até a chegada dos bombeiros) imagino um tragédia muito pior. Na hora havia cerca de 200 funcionários e 100 pacientes, a capacidade de resgate desses 200 heróis foi algo sobre-humano. Merecem a meu máximo respeito e admiração pelo comprometimento em não apenas cuidar, mas salvar vidas. Aos colegas da rede, diretoria do hospital e familiares de pacientes fica aqui meu sincero sentimento pelo ocorrido. Na maioria das vezes, não treinamos com seriedade estes procedimentos, achando que nunca uma tragédia ocorrerá conosco. A garra e mobilização do time são cruciais e, neste momento, percebemos claramente o valor do trabalho em conjunto e que sozinhos nada somos e fazemos!”

Autor: Prof. Lauro

Psicólogo, Professor Universitário, aposentado, e escritor, 72 anos, divorciado, três filhas e seis netos. Com residência de temporada em Itacuruçá desde 1950 e definitiva a partir da aposentadoria em 2001.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: