16 de abril de 2018

Frase do dia

Grande parte desses manifestantes não é sem-terra, mas sem-teta. (Roberto Campos)

(Por motivo de força maior, não houveram postagens no blog nesse final de semana.)

Assalto

Aos poucos, todas as formas de violência estão chegando em Mangaratiba. Depois de furtos e roubos de automóveis, furtos a residências, a pedestres, chegou também o roubo a comércio à mão armada. A foto abaixo é do momento em que o meliante, de arma em punho, entrou na farmácia ao lado do mercado Vitória, no Cerrado, em Itacuruçá. Dizem que ele já havia assaltado os passageiros de um ônibus vindo de Itaguaí e que, após os crimes, teria fugido para a praia da Gamboa, na ilha de Itacuruçá. Policiais seguiram essa pista indo até a Gamboa, mas não conseguiram localizar o bandido.

Assaltante

Assalto II

No fim da noite e início da madrugada do mesmo dia, moradores relatam que ocorreram alguns assaltos a pedestres nas proximidades da passagem de nível de Itacuruçá.

Segunda classe

Não bastassem os problemas decorrentes da empresa Expresso Recreio, que apesar de ter começado bem já passou a apresentar os mesmos problemas da “falecida” Expresso Mangaratiba, agora é a viação Costa Verde que tem deixado a desejar. Depois que suprimiram a linha Rio de Janeiro x Mangaratiba, transformando-a em seção de horários da linha Angra x Rio, já há algum tempo os moradores de Muriqui e Itacuruçá não mais têm certeza se os ônibus entrarão ou não nos distritos. Na última semana, por exemplo, o último horário previsto não passou por Itacuruçá na quinta-feira, deixando vários passageiros sem opção, a não ser esperar pelo dia seguinte..

Na fila

Ainda não será nesta semana que teremos uma decisão sobre a situação política de Mangaratiba. Relatora dos casos referentes ao Rio de Janeiro, a ministra Rosa Weber enviou ao plenário, para julgamento na próxima quinta-feira, o processo relativo a Cabo Frio que, em última instância, também é exatamente igual ao caso de Mangaratiba.

Um pouco de História – O ramal de Mangaratiba

O maior absurdo da política de transportes no Brasil sempre foi a negligência quanto à rede ferroviária em relação ao transporte rodoviário. Não é à toa que nos Estados Unidos e na Europa os trens cruzam as cidades com eficiência e conforto. As vantagens são muitas: é mais rápido, mais seguro, não polui, pode levar mais passageiros ou mais cargas, ale de ser mais barato. No Brasil, o Barão e depois Visconde de Mauá, no século XIX, foi pioneiro no desenvolvimento do transporte ferroviário, com a construção da Estrada de Ferro de Raiz da Serra, no Rio, mas não teve o apoio que esperava e acabou falindo. Muitas décadas depois, no século XX, o presidente Washington Luiz cunhou a famigerada frase “Governar é construir estradas”. Se tivesse concluído a frase com a locução “de ferro”, talvez as ferrovias não tivessem sido deixadas de lado como foram. Isso sem contar o que o governo militar fez com os bondes, um transporte ecológico por natureza, que teve de ceder o lugar, por imposição da “matriz energética”, aos ônibus. Partindo de Santa Cruz, o ramal de Mangaratiba proporcionava aos seus passageiros uma das viagens mais bonitas, não só do Rio de Janeiro, mas de todo o Brasil, atravessando a belíssima Costa Verde, um roteiro turístico por excelência.

Segue

O abandono do ramal, inclusive da ponte rodoferroviária sobre o canal de São Francisco, em Santa Cruz, prejudicou o turismo nas localidades praieiras da Costa Verde, como Coroa Grande, Itacuruçá, Muriqui, Sahi, Ibicuí e tantas outras, até chegar a Mangaratiba. O ramal foi inicialmente chamado ramal de Angra, embora nunca tivesse atingido aquele município. Foi inaugurado em 1878, prolongado até Itaguaí em 1911 e até Mangaratiba, em 1914. A proposta inicial era chegar até Angra dos Reis, que tinha uma ligação com Barra Mansa pela Estrada Oeste de Minas. Infelizmente a eletrificação dos trens, em 1937, foi só até Santa Cruz e, com isso, os passageiros que desejassem seguir até Mangaratiba precisavam fazer baldeação em Deodoro para depois seguir de trem até Santa Cruz e depois pegar outro, a vapor, mais tarde substituído pelo de diesel, com destino a Mangaratiba. Com a construção de uma linha de trens de carga entre Japeri e Brisamar, em 1973, logo após Itaguaí, a prioridade passou a ser o transporte de minério até o porto de Guaíba. Muita gente lembra com saudade do “macaquinho”, uma composição de madeira que saía de Santa Cruz para Mangaratiba em três ou quatro horários, rente aos muitos cachos de bananas pelo caminho e com muitas passagens de nível. Aliás, tinha esse nome exatamente, porque antes era usado para transportar bananas. Os macaquinhos e, geral eram formados por três veículos de madeira e a viagem de Santa Cruz a Mangaratiba levava cerca de três horas, entre o mar e as montanhas da Costa Verde.

Segue

Na década de 1980, já circulavam no Rio os trens japoneses e a linha entre a Central e Santa Cruz passou a ser chamada de Ramal de Santa Cruz, que não precisava baldear em Deodoro. Em 1982, passou a circular um ramal entre Santa Cruz e Itaguaí, desativado em 1984, para a substituição da ponte sobre o Canal de São Francisco, e reativado em 1986. Eram composições de quatro carros a diesel. Costumavam passar a cada hora e faziam paradas nas estações de João XXIII, São Fernando e Distrito Industrial. Em 1989, o ramal de Itaguaí foi extinto e, se o percurso não tinha a esplêndida vista do ramal de Mangaratiba, era fundamental para os moradores dos municípios da Costa Verde, que não dispunham mais do transporte ferroviário da Central, e precisavam viajar de ônibus, muito mais devagar do que o trem. O ramal de Mangaratiba recebeu como homenagem em 1949 um animado xote “Mangaratiba”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, dupla responsável por clássicos da música brasileira como “Asa Branca”, e que deve ter feito muitas viagens pelo romântico percurso do ramal, pois dizia: “Oi, lá vem o trem rodando estrada arriba/ Pronde é que ele vai?/ Mangaratiba! Mangaratiba!/ Adeus, Pati, Araruama e Guaratiba/ Vou pra Ibacanhaema, vou até Mangaratiba/ Adeus, Alegre, Paquetá, adeus Guaíba/ Neste fim de semana vai ser em Mangaratiba!/Mangaratiba!/ Lá tem banana, tem palmito e tem caqui./ E quando faz luar, tem violão e parati”. (André Mansur – Jornalista e Escritor)

Autor: Prof. Lauro

Psicólogo, Professor Universitário, aposentado, e escritor, 72 anos, divorciado, três filhas e seis netos. Com residência de temporada em Itacuruçá desde 1950 e definitiva a partir da aposentadoria em 2001.

Uma consideração sobre “16 de abril de 2018”

  1. Boa Noite
    Teremos na quinta feira no TSE, três julgamentos similares ao caso de Mangaratiba (Araras/SP, Timóteo/MG e Cabo Frio/RJ)

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