04 de janeiro de 2018

Frase do dia

O período de maior ganho em conhecimento e experiência é o período mais difícil da vida de alguém. (Dalai Lama)

O caso dos botos

Habitantes da nossa baía desde tempos imemoriais, os botos cinza estão sendo, atualmente, as mais visíveis vítimas do absoluto descaso da nossa política local quanto à preservação dos recursos naturais de Mangaratiba. Criado pelo ambientalista e biólogo Leonardo Flach, o Instituto Boto Cinza, concebido exatamente para monitorar e manter essa espécie na região, nunca contou com qualquer tipo de apoio do poder público municipal.

O caso dos botos II – depoimentos

Em toda a minha vida nunca havia presenciado algo de tão preocupante como está acontecendo agora na nossa baía. Não sei como as autoridades deixam um assunto alarmante sem nada fazer. Agradeço a todas as pessoas: caiçaras, guias de pesca e outras pessoas que estão nos ajudando em informar os encalhes. Aos governantes, fica a pergunta: até quando vocês não vão fazer nada pela nossa costa verde? Completamos oitenta e cinco botos mortos.  

– Lamentável estarmos testemunhando os últimos momentos da espécie do boto cinza em nossa região, sem que sejam adotadas medidas capazes de frear esse processo destrutivo. Recebi a informação pelo WhatsApp de que a causa do problema poderia ser a troca da água de lastro dos navios e que o correto seria fazerem o procedimento a 500 milhas náuticas. Além disso, há uma suspeita entre a população de que a proliferação das águas vivas gigantes possa estar relacionada a um desequilíbrio ambiental, o que afetaria os cetáceos. A meu ver, é chegado o momento da sociedade repensar se de fato vale mesmo a pena termos tantos empreendimentos econômicos impactantes na nossa baía, sabendo que isso trará prejuízos irreparáveis ao meio ambiente e à nossa qualidade de vida.

O caso dos botos III

Pode até parecer simples saudosismo quando moradores mais antigos contam que há vinte anos o chamado “passeio das ilhas virgens” atraía, mesmo fora da temporada, milhares de turistas estrangeiros. Pode parecer exagero dizer que, há vinte anos, pescadores tiravam do mar todos os dias toneladas de pescado. Reportagem do noticioso Bom Dia Rio da manhã desta quinta-feira a respeito da morte dos botos aponta, contudo, para a acelerada degradação do nosso município lembrando que, há vinte anos, o número estimado de botos na baía era de mais de dois mil e quinhentos. Atualmente, não passam de oitocentos.

Aberta a temporada eleitoral

Calendario Eleitoral

Mega da virada

O estranho caso da mega-sena da virada, com três apostas ganhadoras numa mesma lotérica, e várias outras em municípios remotos, fez ressurgir a desconfiança em relação às loterias da Caixa, que se transformaram em autêntica “caixa preta”. A desconfiança tem a ver com a “cláusula pétrea” da Caixa: ao contrário do resto do mundo, no Brasil não é divulgada a identidade dos “novos milionários”. Há casos até de ameaça de morte a parlamentares que pretenderam tornar obrigatória a divulgação da identidade dos ganhadores de loteria. Projetos para divulgar ganhadores fazem o mundo “desabar”, disse certa vez o autor de um deles, o ex-senador capixaba Gerson Camata. A Caixa alega “segurança” para manter em sigilo os ganhadores, como se os “novos milionários” não pudessem bancar a própria proteção. Seja qual for o governo, o lobby da Caixa sempre atua para sufocar projetos de divulgação da identidade dos ganhadores de loteria. (Fonte: Diário do poder)

 

Autor: Prof. Lauro

Psicólogo, Professor Universitário, aposentado, e escritor, 72 anos, divorciado, três filhas e seis netos. Com residência de temporada em Itacuruçá desde 1950 e definitiva a partir da aposentadoria em 2001.

2 comentários em “04 de janeiro de 2018”

  1. Em tempo!

    Em relação ao calendário eleitoral, considero um retrocesso o legislador, na minirreforma de 2017, ter permitido um prazo menor para o pretenso candidato alterar o seu domicílio eleitoral. Pois isso abre brechas para que políticos sem nenhuma raiz dentro de uma determinada região possa mudar-se para lá e lançar o seu nome a fim de concorrer ao pleito. E, quando se tem dinheiro para fazer campanha, pode dar certo mudar de cidade ou estado.

    Neste aspecto, professor, vejo que a minirreforma caminhou na contramão da inevitável tendência correta que é a adoção do voto distrital misto no país. Pois o que muito precisamos é estabelecer uma identidade geográfica entre o eleitor e o parlamentar. Veja que, por exemplo, poucos se recordam em quem teria votado para deputado no ano de 2014.

  2. Bom dia, Prof. Lauro e leitores,

    Quanto ao “caso dos botos”, não cheguei a dizer na área de comentários da postagem de ontem que os pesquisadores também cogitam da possibilidade dos animais estarem sendo vitimados por um tipo de bactéria ou vírus. Porém, mesmo diante desta hipótese, eu jamais descartaria o fator poluição e que os empreendimentos econômicos na nossa baía estariam contribuindo direta ou indiretamente por atrairem embarcações do mundo todo para cá capazes de interferir no equilíbrio ambiental da baía.

    Uma das soluções propostas pelo biólogo do IBC, diante de uma suposta contaminação por um microorganismo patogênico seria combater as outras causas de extinção da espécie e ele sugere até a criação de novas unidades de conservação como podemos ler na citação feita pela reportagem do por G1 de notícias:

    “Não existe a possibilidade de um tratamento no ambiente selvagem. Se confirmar algum patógeno, alguma doença relacionada especificamente pro boto-cinza, a gente pode ter aí uma perda de 70% da população , 80%, infelizmente a gente não tem muito o que fazer a não ser contar com o órgão ambiental pra diminuir as outras ameaças e criar maneiras de proteção, que é por exemplo uma unidade de conservação marinha, um refúgio para os animais poderem dar continuidade os que sobreviverem” (Leonardo Flach)

    Refletindo acerca da unidade de conservação já existente que é a APA Municipal Marinha do Boto Cinza, considero pouco eficiente termos um espaço que, segundo a legislação do SNUC, é apenas de uso sustentável como, na verdade, precisamos instituir algo com o poder jurídico de restringir mais as atividades econômicas impactantes na região. E, além da instituição de novas UCs, torna-se indispensável que o Poder Público produza ali projetos capazes de efetivamente proteger o ecossistema ao mesmo tempo em que os órgãos ambientais intensificariam as ações fiscalizadoras.

    Até que tenhamos um diagnóstico conclusivo da situação, dezenas ou centenas de botos poderão morrer nas águas dessa baía que é o maior santuário da espécie no mundo e que, há duas décadas atrás, abrigava cerca de 2.500 desses animais, caindo em 2017 para algo em torno de 800. Caso alguma doença esteja sendo a causa e 80% perecerem, será um trabalho árduo para os órgãos ambientais e para o IBC preservar o cetáceo em condições que permanecem bem adversas graças a esses empreendimentos nocivos à natureza.

    Ótima quinta-feira para todos!

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